quarta-feira, 27 de maio de 2009

SOCORRO, MEU DEUS... Dois morrem por dia em postos de saúde na capital baiana

Gustavo Eduardo Ramos é a mais recente vítima da falta de atendimento na rede pública de saúde de Salvador. Aos 44 anos, morreu na madrugada de terça-feira (25) no 6º Centro Municipal de Saúde, em Tancredo Neves.

O que pode parecer exceção na verdade vem se tornando regra. A morte de Gustavo contribui para engrossar uma estatística sombria. Em apenas quatro meses, 247 pacientes morreram - uma média de dois por dia - nos postos de saúde municipais, de acordo com as informações da Coordenação de Emergências e Urgências da Secretaria Municipal de Saúde.

Desde a última quarta-feira, Gustavo ocupava a sala de sutura da unidade, com uma lesão no pé esquerdo, em função do diabetes. O quadro foi agravado pelo estágio avançado de tuberculose.

A simples respiração de Gustavo e os escarros decorrentes da tuberculose também colocavam em risco a população. Sem isolamento adequado, ele foi 'internado' na sala reservada à aplicação de curativos, obrigando enfermeiros e médicos a utilizarem máscaras e comprometendo o atendimento à população.

'Somente na quinta-feira, deixamos de atender pelo menos 100 pessoas', calcula o gerente do posto, Raimundo Leal. Gustavo já era paciente do 6º centro há meses, onde começou e interrompeu o tratamento de tuberculose diversas vezes, o que contribuiu para torná-lo multirresistente à medicação, agravando seu quadro.

Morador de rua, já não contava com a assistência da irmã, Maria das Graças, devido ao alcoolismo que impedia o convívio familiar. 'Tenho criança pequena em casa, ficava com medo da minha neta ter contato com as secreções dele', diz ela, que tentou atendimento no hospital de referência, Octávio Mangabeira, mas não teve sucesso.
A morte de Gustavo, ironicamente, traz um alívio momentâneo à administração do 6ºcentro. O posto é hoje o único dentre as nove unidades de pronto-atendimento do município que não espera por vaga na Central de Regulação do Estado, responsável pelas internações.

Nos outros oito postos, 105 pacientes esperam por um leito. As internações de improviso não fazem parte da rotina apenas do posto de Tancredo Neves. No16º centro de saúde, no Pau Miúdo, a situação é ainda mais drástica. “Só na semana passada tivemos uma morte por dia”, conta a chefe da enfermagem Andréia Kuss, que tem 26 pacientes à espera de vagas nos hospitais.

Segundo Ricardo Gouveia, da Central de Regulação, existem mais de 700 solicitações de internação no estado, e a demanda desordenada de doentes do interior dificulta o gerenciamento dos leitos.
FONTE: CORREIO

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