quarta-feira, 1 de abril de 2009

Avaliação positiva do governo cai 10 pontos

A avaliação positiva do governo federal registrou queda em março deste ano de acordo com pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem. A avaliação positiva do governo caiu de 72,5% em janeiro deste ano para 62,4% em março de 2009. É a primeira queda da popularidade do governo verificada pela pesquisa desde setembro do ano passado, quando a gestão do petista vinha registrando sucessivos recordes positivos. Entre os eleitores que avaliam negativamente o governo federal, o índice subiu de 5% em janeiro para 7,6% em março. Já os eleitores que avaliam o governo como regular somam 29,1% em março deste ano contra 21,7% em janeiro deste ano. A avaliação pessoal do presidente Lula também caiu em março, de acordo com a pesquisa, depois de registrar a melhor avaliação histórica da pesquisa em janeiro deste ano. O índice caiu de 84% em janeiro para 76,2% em março.

O número de eleitores que avaliam negativamente o presidente também subiu de 12,2% em janeiro para 19,9% em março. Outros 4% não responderam à pergunta. Entre setembro de 2009 e janeiro deste ano, os índices de popularidade de Lula foram superiores às avaliações registradas em janeiro de 2003 —o ano em que foi empossado no cargo—, quando obteve 83,6% de aprovação. O cenário mudou em março, de acordo com a CNT/Sensus, em consequência da crise econômica internacional. Apesar das quedas, o diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes, disse que os índices de avaliação do governo e do presidente Lula ainda são muito elevados —semelhantes aos registrados pela pesquisa antes da crise.

Na avaliação de Guedes, as quedas na avaliação positiva do governo e de Lula são consequência da crise, que começou a "colar" sua imagem no Executivo. "Na avaliação do governo é uma queda de dez pontos percentuais, significativa, embora o percentual de aprovação do governo continue alto. A crise, em janeiro, ainda não tinha pegado forte no país. Ainda havia estabilidade nos índices de avaliação. A economia afeta os índices de popularidade não apenas no Brasil, mas em outros países", afirmou. A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 23 e 27 de março, em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou menos.

50,1% votam com nome de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve o seu poder de transferência de votos à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na corrida pelo Palácio do Planalto apesar da queda de sua popularidade em março deste ano, como revela pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem. Segundo a pesquisa, 50,1% dos eleitores brasileiros votariam no candidato apoiado por Lula na sua sucessão. Em dezembro de 2008, o percentual era de 44,5%. Entre os eleitores que confiam na escolha do presidente, 21,5% responderam que o candidato de Lula seria o único em que votaram na corrida pelo Palácio do Planalto.

Outros 28,6% poderiam votar no candidato apoiado por Lula. A pesquisa mostra que 20,3% não votariam no candidato que tem o apoio do presidente, contra 25,9% que votariam só se conhecessem o candidato do Palácio do Planalto. Em janeiro, o percentual dos que votariam no candidato de Lula apenas se conhecessem o seu nome era de 34%.

"Embora decresça a avaliação do governo, a população já começa a tomar partido. Aumenta o poder de transferência física do Lula. A avaliação pessoal do presidente, apesar de ter sofrido queda, ainda continua muito forte", disse o diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes. A pesquisa mostra uma reação de Dilma, que pela primeira vez aparece na frente do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), na pesquisa espontânea —em que os nomes dos candidatos não são apresentados aos eleitores.Dilma também venceria o tucano em um eventual segundo turno, mas perderia se o candidato da oposição fosse o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
40% temem perder emprego
A Pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem mostra que quase a metade dos brasileiros (44%) tem o receio de perder o emprego em consequência da crise econômica. Segundo o levantamento, 39,7% não têm esse temor, enquanto outros 15,6% não responderam. O levantamento aponta, porém, que 46,3% da população acreditam que o Brasil vai sair fortalecido da crise em relação aos outros países, contra 23% que avaliam que o País sairá enfraquecido e outros 21,8% que apostam em resultados estáveis para o País após mudanças no atual cenário internacional.

Em dezembro de 2008, apenas 35% dos brasileiros apostavam que o país sairia fortalecido da crise. A CNT/Sensus também mostra que 63,5% dos entrevistados conhecem ou ficaram sabendo de alguém que já perdeu o emprego em razão da crise. Outros 34,9% dos entrevistados não conhecem ninguém desempregado em consequência da turbulência internacional e 1,6% não responderam. Em relação à expectativa para o desemprego nos próximos seis meses, 48,8% acreditam que vai piorar, 23,7% que vai ficar semelhante aos índices atuais e 22,1% que vai piorar. Os índices de pessimismo caíram em relação a janeiro deste ano, quando a pesquisa mostrou que 51,1% dos brasileiros acreditavam que o desemprego iria piorar nos próximos seis meses. Na avaliação dos últimos seis meses, 20,9% dos entrevistados responderam que o nível de emprego melhorou contra 22,1% que avaliam como estável e 54,5% que consideram pior.

O índice de pessimismo teve forte subida em relação à pesquisa divulgada em janeiro de 2009, quando 38,5% dos entrevistados responderam que o nível de emprego piorou nos últimos seis meses. Segundo a pesquisa, a maioria dos entrevistados apoia as medidas do governo federal de combate à crise. No total, 40,1% acreditam que o Brasil está lidando adequadamente com a crise, contra 26,5% que não têm essa avaliação e outros 26,4% que acham que o governo lida "mais ou menos" para enfrentar a turbulência nos mercados internacionais. A CNT/Sensus também mostra que 52,5% dos entrevistados são favoráveis à redução da jornada de trabalho e a consequente diminuição nos salários como forma das empresas enfrentarem a crise.

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